sexta-feira, 11 de julho de 2008

Crianças em lixão de Juazeiro são identificadas pelo Peti

04/07/2008 (20:22) atualizada em 04/07/2008 (21:00) | COMENTÁRIOS (0)


Crianças em lixão de Juazeiro são identificadas pelo Peti

Ivan Cruz / Agência A Tarde
http://www.agenciaatarde.com.b

Crianças e adolescentes trabalham no lixão entre ratos e urubus
Galeria de Fotos
Trabalho infantil no lixão de Juazeiro
Mário Bittencourt, da Sucursal Juazeiro
Um grupo de 50 crianças e adolescentes, com idade entre 6 e 18 anos está trabalhando em um lixão de Juazeiro, município localizado a 500 km de Salvador. Representantes do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) que atuam na região já iniciaram o trabalho de identificação e cadastramento dos garotos para tentar incluí-los em programas sociais.

A visita para levantamento de dados que indicarão os caminhos para a inclusão do grupo em projetos que os retirem da situação do que é caracterizado como trabalho infantil foi



realizada na última terça-feira, 1º. Dentre as crianças que perambulam pelo local está um garoto de 9 anos, que já mostra desenvoltura com o trabalho.

Com as roupas sujas e num ambiente insalubre onde se aglomeram moscas, urubus e ratos, o menino conta que o lixão tem sido a saída para levantar dinheiro. “ Vivo aqui no lixão, como o que acho no chão e vou catando papeis para vender e levar dinheiro para casa”. Sem alongar a conversa, o menino volta ao trabalho. Outros amigos se aproximam para contar histórias parecidas. “Tenho duas semanas trabalhando direto no lixão. Só paro pra dormir. Começamos cedo por volta das quatro horas e só paramos de noite quando chega o caminhão de lixo. Aí deixamos algumas coisas já preparadas para o outro dia”, narra um adolescente de 16 anos.

Uma garota de 17 anos conta que tem dois filhos: um de 3 anos e outro de nove meses. As roupas da garota são semelhantes às vestidas pelos meninos, escondendo as características femininas. Isto porque o ambiente de trabalho não comporta a vaidade feminina. Elas são usadas de uma forma que permita proteção contra as moscas. Assim, apenas o rosto fica de fora, aumentando o desconforto por conta do calor.

“Eu já tentei me cadastrar no Bolsa Família por três vezes mas até hoje não consegui. Não recebo nenhum tipo de auxílio do governo. O pai dos meus filhos me deixou. Por isso eu vim para cá”, conta a adolescente. É ela que revela a “tabela de preços” do que é retirado no lixão: um quilo de papelão sai por R$ 0,09; o de plástico por R$ 0,30; o de garrafas peti por R$ 0,20; e o quilo de papel custa R$ 0,05”. O menino de 9 anos não pára de catar papéis. "Tem de trabalhar muito aqui”, relata ele.

Assim como o menino, a maioria dos garotos que atuam no lixão não recebe nenhum tipo de auxílio do governo federal. “Trabaho ele para cá porque não quero deixá-lo em casa sem ter o que fazer, pois é época de férias na escola”, conta o tio do menino que prefere não se identificar. O tio diz que tem levado o garoto para o local para não deixá-lo em casa sem ocupação, pois é época de férias na escola.

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