segunda-feira, 11 de maio de 2009

A EDUCAÇÃO FÍSICA E O ENFOQUE MULTIDIMENSIONAL COMO

Por: Denivaldo Lemos da Silva ( Petrolina PE). Graduado em Educação Física. Aluno do curso de Pós Graduação Em Treinamento Desportivo & Raylene Rego Braz A. Oliveira (Juazeiro BA). Graduada em Pedagogia com especialização em Interdisciplinaridade.

Todas as disciplinas que compõem o currículo de ensino são importantes para a aprendizagem, basta identificar a essência de cada uma. No decorrer das fundamentações apresentadas neste trabalho é possível observar e imaginar o potencial de uma delas de maneira específica: a Educação Física (EF).
A análise de como os alunos, educadores, coordenadores percebem a EF, as mudanças ocorridas com a disciplina, como deveria ser trabalhada, como é trabalhada na atualidade e as dificuldades para a sua efetiva implantação nas escolas, aflora o seu diferencial e significância na escola, na vida infantil e na vida adulta.
Para Libâneo "não há método único de ensino, mas uma variedade de métodos cuja escolha depende dos conteúdos da disciplina, das situações didáticas específicas e das características sócio-culturais e de desenvolvimento ou experiência dos alunos” (1994, p. 152). Ou seja, o professor tanto de Educação Física como de toda e qualquer disciplina, necessita não só de um método, de uma só didática, porque corre o risco de apenas reproduz um determinado modelo de sociedade, através do ato de preparar os alunos para se encaixarem harmonicamente em um único modelo. Segundo Luckesi (1984, p. 24), o educador como objeto sofre a ação do tempo e dos movimentos sociais, sem assumir a consciência e o papel de interferidor nesse processo.
Em virtude disso surge o enfoque multidimensional como alternativa, onde permite uma compreensão em que não cabe a visão de fragmentação dos conceitos e mudanças ocorridas ao longo dos tempos e sim o entendimento de que cada época e cada momento histórico da Educação Física se complementam. “Pensar a Educação Física pressupõe pensar a escola como instituição historicamente situada e que vive hoje um rico e tenso processo de ressignificação de sua função política e social” (Linhares, 1999, p. 33).
A respeito, se posiciona o autor Darido, 2003, p. 1: Os objetivos e as propostas educacionais da educação física foram se modificando ao longo deste último século, e todas estas tendências, de algum modo, ainda hoje influenciam a formação do profissional e as práticas pedagógicas dos professores de educação física.
Contudo, o posicionamento didático metodológico deve se nutrir de métodos e técnicas que venham a corresponder com os princípios ou pressupostos visando a sistematização do ensino, orientação do professor em sua intervenção no processo de aprendizagem do educando, capacitando-o para a realização dos objetivos educacionais propostos. Porém, nenhuma abordagem metodológica e método são suficientes, pelo fato de não existir uma única forma de aprender.
O profissional responsável pelas aulas de Educação Física deve buscar alternativas que envolvam a sua clientela, bem como recorrer a multidimensão que a área oferece; a começar pelas infinidades de jogos existentes. Diz Celso Antunes (1999, p.17) “O jogo, em seu sentido integral, é mais eficiente meio estimulador das inteligências. O espaço do jogo permite que a criança (e até mesmo o adulto) realize tudo o quanto deseja”. Cabe ao educador se atentar para não utilizar algum jogo ou brincadeira em que esse aluno fique exposto ao julgamento dos demais colegas, porque isso irá limitá-lo.
BROTTO (1995) sugere “o uso dos jogos cooperativos como uma força transformadora que são divertidos para todos e todos têm um sentimento de vitória, criando alto nível de aceitação mútua, enquanto nos jogos competitivos os jogos são divertidos apenas para alguns, a maioria têm sentimentos de derrota e são excluídos por falta de habilidades”.
Recorrer a jogos, brincadeiras ou exercícios em que sejam privilegiadas situações que exijam de habilidades individuais (aluno-objeto; aluno-objeto-companheiro) é uma alternativa indispensável; porque visa atender às necessidades de cada turma ou de cada aluno e não direciona os alunos a se sentirem envergonhados pelas suas capacidades ou habilidades limitadas com determinados objetos ou movimentos, frutos de sua pouca vivência. Nos ensina Piaget:

"O jogo é, portanto, sob as suas duas formas essenciais de exercício sensório-motor e de simbolismo, uma assimilação da real à atividade própria, fornecendo a esta seu alimento necessário e transformando o real em função das necessidades múltiplas do eu. Por isso, os métodos ativos de educação das crianças exigem todos que se forneça às crianças um material conveniente, a fim de que, jogando, elas cheguem a assimilar as realidades intelectuais que, sem isso, permanecem exteriores à inteligência infantil". (Piaget 1976, p.160).

A dimensão simbólica não está na identificação da amplitude do corpo, mas de outros infinitos contextos e séries advindos de outras disciplinas. E a área da Educação Física é um ramo que permite claramente a inter-relação com outras áreas, em especial: História, Estudos Sócias e Ciências. Porém está em consonância com as mais diversas disciplinas, podendo contribuir significativamente com o processo de ensino-aprendizagem através das dimensões: procedimental, simbólica e atitudinal que são trabalhadas. Ou seja, o aluno que tenta, pensa, toma decisões, avalia e enfim, que pratica, demonstra que aprendeu a mover-se e esse movimento para a educação física é uma dimensão procedimental.
"A dimensão procedimental diz respeito ao saber fazer no que diz respeito à dimensão atitudinal, está se referindo a uma aprendizagem que implica utilização do movimento como um meio para alcançar um fim, mas este fim não necessariamente se relaciona a uma melhora na capacidade de se mover efetivamente. Neste sentido, o movimento é um meio para o aluno aprender sobre seu potencial e suas limitações (...). [A dimensão conceitual] (...) significa a aquisição de um corpo de conhecimentos objetivos, desde aspectos nutricionais até sócio-culturais como a violência no esporte ou o corpo como mercadoria no âmbito dos contratos esportivos".
(FERRAZ 1996, p.17)


Quando o aluno se expressa através de som, gesto, mímica, dança, jogos, acaba percebendo o seu corpo como um instrumento de comunicação e assim, aprende sobre o meio ambiente, identifica suas limitações e seu potencial; comparando-se com o seu semelhante, com os meio em que vive e formando um conceito de si. Aqui a criança passa pela dimensão atitudinal; que leva a um nível de compreensão mais elevado e de conhecimentos mais objetivos. Passa a Identificar o corpo com toda a sua amplitude: função de cada órgão, visão sócio-cultural, como é explorado socialmente, supervalorização de músculos, dentre outros. Em suma, passa a identificar fatos, conceitos, princípios.
Segundo Canfield (2000), não se pode negar a importância de o aspecto motor ser trabalhado no decorrer da infância do ser humano; desta forma a escola, enquanto meio educacional, é responsável por oferecer a oportunidade de uma ótima vivência motora, pois ela será determinante no processo de desenvolvimento da criança.
Muitos estudiosos como Howard Gardner, autor da teoria das inteligências múltiplas, impulsiona seus leitores a observarem a existência de uma tendência por parte de muitos autores, ao valorizarem mais as modalidades lógico-matemático e verbal-linguística. Dando pouca ênfase as modalidades como espacial, cinestésica, corporal, pessoal e musical. De acordo com as fundamentações de Gardner a inteligência é composta de pelo menos oito competências: lógico-matemática, lingüística, interpessoal, intrapessoal, corporal-cinestésica, musical, espacial e naturalista.
Para Dulce M. Sampaio (p.107, 2004): “O psicólogo Howard Gardner, insatisfeito com a avaliação da inteligência humana através da medida do quociente intelectual (QI), realizou estudos experimentais do funcionamento do cérebro humano, constatando uma “visão pluralista da mente”, ou seja, cada ser humano tem formas e estilos diferentes de pensar e aprender [...]”.
Partindo do pressuposto de que existem várias formas de pensar e aprender, destaca-se a atividade corporal com um elemento fundamental da vida infantil, que leva a criança ao desenvolvimento cognitivo, afetivo e social é que se respalda a Educação Física como alternativa multidimensional por privilegiar o desenvolvimento das habilidades motoras básicas, através de simples atividades recreativas, tais como: variadas atividades de autotestagem; jogos de competição, cooperação, mímica, simbólico, expressão corporal; brincadeiras; seqüências pedagógicas; resolução de problemas; aulas historiadas; aulas com música; gincanas; festivais; exercícios em duplas, trios, grupos; circuito.

Em paralelo as sugestões apresentadas encontram-se as discussões sobre temas da atualidade ligados à cultura corporal de movimento, leitura de textos, dinâmicas de discussão em grupo, matérias de jornais e revistas, mural de notícias e informações sobre esporte e outras práticas corporais; trabalhos escritos, pesquisa de campo, Futsal, Voleibol, Basquetebol, Handebol, Corrida de Velocidade e resistência, Natação, Salto Triplo e Altura, Ginástica Olímpica, Peteca, Lançamento e Arremesso, Peteca, Atividades Recreativas, etc.

“[...] a Educação Física escolar é compreendida na perspectiva da reflexão sobre a cultura corporal e, portanto, busca desenvolver uma reflexão pedagógica sobre o acervo de formas de representação do mundo que o homem tem produzido no decorrer da história, exteriorizadas pela expressão corporal: jogos, danças, lutas, exercícios ginásticos, esporte, malabarismo, contorcionismo, mímica e outros, que podem ser identificados como formas de representação simbólica de realidades vividas pelo homem, historicamente criadas culturalmente desenvolvidas”.
(Coletivo de autores, 1992, p. 38)

Na visão de Decroly a criança “Precisa saber para que servem seus órgãos; o modo de comer, ler trabalhar e jogar; como funciona seus sentidos; como estes a defendem e a ajudam; como se movem seus membros e, especialmente, que serviço lhe presta a mão (...)” (Gilberto Contrim e Mario Parisi,(p. 289, 1985).
Nossas crianças precisam de uma melhor abordagem no quesito movimentos, pois esses estão presentes, em todos os momentos vividos, quer de alegria, quer de tristeza. E não de imposições de todas as direções.
Mas, como pode este individuo físico e solto, fonte de prazer, que ri e chora, se alegra e se entristece em uma sociedade disciplinada, em relação ao corpo, que isola os seres humanos e os transforma em opostos? Este corpo conseguirá interferir na ordem estabelecida a partir do momento em que se apresentar como expressão de individualidade e ao mesmo tempo coletividade, em que se relaciona com o outro, respeitando e sendo respeitado, com espaço de liberdade e possibilidade de expressão.
A respeito disso Fontana e Cruz (1997, p. 61) dizem: É na sua relação com o outro que a criança vai se apropriando das significações socialmente construídas. Desse modo, é o grupo social que, por meio da linguagem e das significações, possibilita o acesso a formas culturais de perceber e estruturar a realidade.

No entanto, a Educação Física é multidimensional. O seu enfoque psicomotor contribui como suporte para aprendizagens cognitivas, porque a psicomotricidade trabalhada serve de recurso pedagógico e meio pelo qual almeja o sucesso da criança em outros campos do conhecimento; no seu enfoque singular, dar oportunidade ao professor de conhecer melhor cada criança independente de classes sociais, etnia, credo religioso e gênero, e à criança, oportuniza a interação entre si, o contato com outras culturas, a incorporação de normas, valores, regras, constituindo traços importantes para as suas identidades e papéis sociais.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ANTUNES, Celso. Coleção pensamento vivo. Ed. 1. Nossa Cultura, 2005.
BROTTO, F. O. Jogos Cooperativos: se o importante é competir, o fundamental é operar. SãoPaulo: Cepeusp, 1995.

COLETIVO DE AUTORES. Metodologia do ensino de Educação Física. São
Paulo: Cortez, 1992.

COTRIM, Gilberto; PARISI, Mario. Fundamentos da educação: história e filosofia
da educação. 10 ed. São Paulo: Saraiva, 1985.

DARIDO, Suraya C. Educação física na escola: questões e reflexões. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2003.

FERRAZ, O. L. Educação Física escolar: conhecimento e especificidade, a
questão da pré escola.Revista Paulista de Educação Física, supl. 2, 16-22,
1996.

FONTANA, R. e CRUZ, N., Psicologia do Trabalho Pedagógico. São Paulo: Atual, 1997.
LIBÂNEO, J. C. Didática. São Paulo: Cortez, 1994.

LINHARES, Meily A. Problemas da avaliação em Educação Física escolar:
reflexões sobre a pratica pedagógica. Anais do V seminário de Educação
Física Escolar. São Paulo: EEFE/USP, 1999.

LUCKESI, C. C. Avaliação educacional escolar: para além do autoritarismo.
Revista de Educação AEC, v. 15,n. 60, p. 23-37, 1986.

LUCKESI, Cipriano C. O papel da didática na formação do educador. In: CANDAU, Vera (org.). A didática em questão. Petrópolis: Vozes, 1984.

PIAGET, Jean. A psicologia da criança. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998.

Observação:
O professor Denivaldo Lemos Leciona em Juazeiro de 1º ano a 5º ano como recreação e educação física para o ensino fundamental II. trabalha também com o esporte 2ª tempo numa escola infantil em Petrolina, e natação para crianças e adulto no sest senat de Petrolina. denivaldosilva@sestsenat.org.br
Professora Raylene Rêgo presta assessoria pedagógica, ministra palestras na área de planejamento em sala de aula, avaliação e importância da dinâmica em sala de aula. Publicação local: Livro Dinâmica em sala de aula- Instrumento da ação pedagógica, Gráfica Franciscana. Participação no livro Educação 2009, p. 125-127, Humanas Editorial (www.humanaseditorial.com.br).raylenerego@hotmail.com

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