quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

O PAPEL DA MULHER CONGREGACIONAL NA FAMÍLIA

17.09.2007 - 11:22:00
O PAPEL DA MULHER CONGREGACIONAL NA FAMÍLIA

Jeane Noronha do Carmo*

A mulher moderna conquistou espaços e desempenha diferentes papeis na sociedade, foi o que estivemos falando no último artigo “O papel da mulher congregacional na sociedade”. Nosso desafio é refletir sobre o papel da mulher cristã na família. A família como elemento básico e universal das sociedades, atribui à mulher o papel de esposa, mãe e dona de casa. A célula mãe da sociedade é o grupo social mais afetado por mudanças que ocorrem no tempo, transformando valores e redefinindo funções. Quero chamar a atenção da igreja justamente para as mudanças que a cada dia afetam a família e particularmente a mulher que além de mãe, esposa e donas de casa são também profissionais, trabalhadoras e provedoras do lar. Economicamente os benefícios são muitos, mas os problemas e os desafios também.
As mulheres vivem um grande conflito no desempenho de seu papel de mãe, na verdade o que se percebe é a grande dificuldade que a maioria enfrenta para poder administrar o tempo, estabelecer prioridades e ser feliz. Imaginemos a situação de uma mulher dos centros urbanos que precisa levar um filho na escola, deixar o outro em casa com febre aos cuidados de uma estranha, chegar ao trabalho dentro do horário, passar no supermercado, pagar algumas contas, ler o texto da faculdade e ainda se preparar para uma noite de amor e prazer com seu esposo. Tudo isso...?! Como fazer tanta coisa, como estabelecer as prioridades? Nunca foi tão difícil fazer essa matemática. De acordo com o sociólogo José Pastore em 1970 menos de 20% das mulheres brasileiras trabalhavam fora de casa; hoje são 48%. Mudanças econômicas fizeram os salários dos maridos diminuírem levando muitas mulheres a não ter outra opção senão trabalhar fora de casa. O resultado é que a jornada de trabalho é cada vez maior e os maridos e filhos não lavam, passam ou cozinham. Infelizmente as reivindicações dos movimentos feministas não conseguiram incutir na cabeça das mulheres conquistas dentro da esfera doméstica. E o resultado negativo se reflete em relacionamentos cada vez mais fragilizados entre mães e filhos e na “falta” de tempo para o culto doméstico, uma conversa, um carinho, um momento de lazer.
Outro grande conflito vivido por muitas mulheres cristãs está relacionado a seu papel de esposa. Outro dia, ouvi uma amada irmã dizer: “Depois de um dia cheio não consigo fazer mais nada, quando me deito na cama logo adormeço de tão cansada que estou”. Quantas mulheres estão vivendo situação igual e mesmo sabendo, de acordo com a Palavra de Deus, que não temos direito sobre o nosso corpo, o cansaço e a fadiga acabam fazendo adiar momentos de intimidade e amor entre o casal. Muitos casais vivem uma situação de risco, constante, por não terem tempo um para o outro e quando tem um momento de folga fazem atividades isoladas, o marido para um lado, a esposa para o outro e os filhos, claro, também.
Duas mulheres na bíblia têm lições valiosas para nós. A primeira, como mãe, por sua sabedoria e apego as coisas espirituais. Na segunda epístola de Paulo a Timóteo, o apóstolo fala da fé contagiante que havia em sua avó Lóide e em sua mãe Eunice (II Tm 1:3-5). Lóide foi um exemplo de vida com Deus. Só podemos dar o que temos, leia a bíblia, esteja ligada aos céus, orando, mesmo que seja a caminho do trabalho ou fazendo atividades domésticas. Através de um processo chamado socialização as crianças interiorizam e imitam nosso comportamento, pense no poder que há em suas mãos para edificar ou destruir. Lóide foi como um espelho refletindo vida e luz até a terceira geração de sua descendência.
A segunda, mesmo que não se constitua como modelo de esposa, é a mulher adúltera de Provérbios de Salomão (Pv. 7). A palavra sedução significa atrair, encantar, inclinar, fascinar. Leia, atentamente, cada passo que ela deu para levar o homem como um boi ao matadouro e, no final, à sepultura e às câmaras da morte (v.27). Ela sabia seduzir sua presa. Como alguém segue para a morte tão cegamente? Vejo uma explicação, o poder da sedução era sua arma. Nós mulheres cristãs temos uma herança cultural ocidental que nos desfavorece, fomos educadas a sermos comedidas, zelar pelos bons costumes, pela moral e sempre esperar a iniciativa do homem. No período colonial, as mulheres casadas podiam apenas insinuar seu desejo ao marido e o homem tinha de estar atento e apto a perceber e atender os sinais dissimulados emitidos pela esposa recatada e envergonhada.[1] Até hoje esse assunto é tabu nas igrejas e muitas esposas não sabem conquistar seus maridos e algumas não gostam nem de falar do assunto. Infelizmente o espaço não permite que aprofundemos a questão.
Enfim, os desafios são muitos, mas podemos com a graça de Deus ser: mães que oram, profundas conhecedoras da palavra de Deus, esposas amantes e sedutoras. Conclamo as sábias mulheres de Deus a investirem em seus casamentos com todas as armas que naturalmente temos. O Senhor nos abençoe!


Jeane Noronha do Carmo*
jeane@sxp.com.br


*Jeane é formada em Sociologia pela UFRN, com especialização em Antropologia.
Também cursou Teologia. É membro da IEC Natal.

[1] História das mulheres no Brasil / Mary Del Priore (org.); Carla Bassanezi (coord. de textos) 7 ed. São Paulo: Contexto, 2004.

3 comentários:

  1. Otimo texto, realmente no mundo que vivemos hoje, precisamos essencialmente da orientação do Nosso Todo Poderoso, Jeová.
    Ellen Sabrina

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  2. Com certeza Sabrina. É um texto muito rico. a autora Jeane Noronha está de parabéns.

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  3. Olá Raylene,

    Agradeço em compartilhar meu texto com outras mulheres.Dê uma olhada no blog: www.missionariascongregacionais.blogspot.com

    Um grande abraço!
    Jeane Noronha

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