sábado, 17 de outubro de 2015

Morte: como ajudar seu filho a lidar com o luto

Morte: como ajudar seu filho a lidar com o luto

Por: Cristina Cançado Pedagoga e autora do livro Como Educar os Filhos e Colocar Limites, orienta mães de todo Brasil a melhorar o relacionamento com seus pequenos.

O que fazer quando morre alguém muito próximo da criança?
A morte é a única certeza que temos na vida. Em algum momento, teremos que enfrentá-la e nossos pequenos não serão poupados. Outro dia assisti o filme Corajosos e fiquei bastante impressionada com a fala de um dos protagonistas: “Aprender a viver sem um ente querido é como aprender a viver com a amputação”. Perder alguém que amamos é realmente um sofrimento imensurável e pode acontecer a qualquer momento com qualquer um de nós. Por isso, é necessário refletir se estamos, de fato, educando nossos filhos para vencer os desafios da vida, nesse caso, lidar com a morte.
Como lidar com a morte
Mesmo tendo a certeza que o fim de cada ser vivo é morrer, costumamos evitar falar sobre esse assunto, principalmente com as crianças. Transformar a morte em tabu, em assunto proibido, não vai ajudar a lidar com a perda de um ente querido. O mais sensato é tratar a morte como algo natural da vida. E como fazer isso?
Em sala de aula, tive alunos que perderam entes queridos. E acredite, não é uma situação fácil! Nesses momentos é preciso reconhecer que a dor da criança é real e ela precisa de amparo e compreensão. As crianças sofrem e cada uma, dependendo da idade e do jeito de ser, demonstra sua dor de uma maneira. A criança muito pequena, por exemplo, não vai entender a permanência da morte e vai esperar que o ente querido volte a qualquer momento. Já a criança maior vai conseguir chegar à conclusão que um dia a morte chegará para cada um. Cabe a nós, adultos, adotar atitudes que irão ajudá-las a lidar melhor com esses sentimentos. Afinal, é natural sofrer pela perda de alguém amado, o importante é não deixar que essa dor se transforme em algo que vai fazer mal à saúde dos pequenos.
Então, como agir para que a criança saiba lidar com a perda de um ente querido e saia mais fortalecida emocionalmente dessa experiência?
Uma atitude que você pode adotar, agora, é incluir na biblioteca do seu filho histórias que tratam da morte de forma criativa, como, por exemplo, o clássico A Formiguinha e a Neve, A avó adormecida do italiano Roberto Parmeggiani, A Montanha Encantada dos Gansos Selvagens de Rubem Alves e Menina Lili de Ziraldo. Não espere acontecer o falecimento de alguém próximo para fazer isso. É muito importante que a criança tenha contato com esse assunto e uma boa maneira de fazer isso é pelas histórias.
Caso a perda, de fato, aconteça com alguém muito ligado ao seu filho, você poderá adotar algumas atitudes que permitirão a ele passar por esse sofrimento e pelo luto com mais conforto e sem traumas. Lembre-se que o adulto tem estratégias e amigos para passar por essa dor, mas a criança tem apenas os adultos para ajudá-la a passar por esse processo. Então, fique atenta, mãe! Seu filho pode apresentar mais irritabilidade, inapetência, tristeza e esses comportamentos pedem mais sua atenção. É hora de agir!
NO DIA DO VELÓRIO:
  • Leve seu filho ao velório, se ele desejar. Levar flores para colocar no caixão pode ser uma boa forma de despedida.
  • Deixe que assine no livro de presenças.
  • Não esconda sua tristeza do seu filho. Se ele perguntar o motivo do seu choro, explique que você está triste pois sentirá saudades da pessoa que morreu, já que ela não vai voltar mais.
  • Conte a verdade sobre a causa da morte, por exemplo, que estava doente, um acidente ou porque estava velhinho. Não dê detalhes, principalmente se a morte for trágica, com sofrimento.
  • Responda às perguntas do seu filho de maneira objetiva, por exemplo, se ele perguntar: “A gente também vai morrer?” Você poderá responder que sim, mas quando estiverem bem velhinhos.
  • Abraçar e beijar o falecido só deve acontecer se a criança quiser e se já tinha esse costume antes do falecimento.
  • Se a criança pedir pode deixá-la ver o rosto do falecido.
  • A morte é um fenômeno difícil de explicar, mas se a criança fizer perguntas sobre isso, responda de acordo com suas crenças.
COM O PASSAR DOS DIAS:
  • Se seu filho é uma criança muito ativa, leve-o para brincar mais vezes ao ar livre.
  • Se seu filho é mais quieto, fique mais tempo a sós com ele.
  • Procure manter a rotina.
  • Deixe seu filho falar, chorar, rir e brincar. Seja acolhedora! É importante que seu pequeno perceba que ele tem alguém para confortá-lo.
  • Vocês poderão construir juntos uma “Caixa de Memórias” ou um “Livro de Memórias” e guardar fotos e lembranças da pessoa que morreu.
Essas são atitudes concretas que ajudarão seu pequeno a aceitar a ausência do ente que se foi, sem criar fantasias sobre a morte. O importante é que você fique atenta ao comportamento do seu filho e respeite seu modo de lidar com a dor da perda. E lembre-se, não o obrigue a fazer nada que ele não queira.


O que fazer quando morre alguém muito próximo da criança?
A morte é a única certeza que temos na vida. Em algum momento, teremos que enfrentá-la e nossos pequenos não serão poupados. Outro dia assisti o filme Corajosos e fiquei bastante impressionada com a fala de um dos protagonistas: “Aprender a viver sem um ente querido é como aprender a viver com a amputação”. Perder alguém que amamos é realmente um sofrimento imensurável e pode acontecer a qualquer momento com qualquer um de nós. Por isso, é necessário refletir se estamos, de fato, educando nossos filhos para vencer os desafios da vida, nesse caso, lidar com a morte.
Como lidar com a morte
Mesmo tendo a certeza que o fim de cada ser vivo é morrer, costumamos evitar falar sobre esse assunto, principalmente com as crianças. Transformar a morte em tabu, em assunto proibido, não vai ajudar a lidar com a perda de um ente querido. O mais sensato é tratar a morte como algo natural da vida. E como fazer isso?
Em sala de aula, tive alunos que perderam entes queridos. E acredite, não é uma situação fácil! Nesses momentos é preciso reconhecer que a dor da criança é real e ela precisa de amparo e compreensão. As crianças sofrem e cada uma, dependendo da idade e do jeito de ser, demonstra sua dor de uma maneira. A criança muito pequena, por exemplo, não vai entender a permanência da morte e vai esperar que o ente querido volte a qualquer momento. Já a criança maior vai conseguir chegar à conclusão que um dia a morte chegará para cada um. Cabe a nós, adultos, adotar atitudes que irão ajudá-las a lidar melhor com esses sentimentos. Afinal, é natural sofrer pela perda de alguém amado, o importante é não deixar que essa dor se transforme em algo que vai fazer mal à saúde dos pequenos.
Então, como agir para que a criança saiba lidar com a perda de um ente querido e saia mais fortalecida emocionalmente dessa experiência?
Uma atitude que você pode adotar, agora, é incluir na biblioteca do seu filho histórias que tratam da morte de forma criativa, como, por exemplo, o clássico A Formiguinha e a Neve, A avó adormecida do italiano Roberto Parmeggiani, A Montanha Encantada dos Gansos Selvagens de Rubem Alves e Menina Lili de Ziraldo. Não espere acontecer o falecimento de alguém próximo para fazer isso. É muito importante que a criança tenha contato com esse assunto e uma boa maneira de fazer isso é pelas histórias.
Caso a perda, de fato, aconteça com alguém muito ligado ao seu filho, você poderá adotar algumas atitudes que permitirão a ele passar por esse sofrimento e pelo luto com mais conforto e sem traumas. Lembre-se que o adulto tem estratégias e amigos para passar por essa dor, mas a criança tem apenas os adultos para ajudá-la a passar por esse processo. Então, fique atenta, mãe! Seu filho pode apresentar mais irritabilidade, inapetência, tristeza e esses comportamentos pedem mais sua atenção. É hora de agir!
NO DIA DO VELÓRIO:
  • Leve seu filho ao velório, se ele desejar. Levar flores para colocar no caixão pode ser uma boa forma de despedida.
  • Deixe que assine no livro de presenças.
  • Não esconda sua tristeza do seu filho. Se ele perguntar o motivo do seu choro, explique que você está triste pois sentirá saudades da pessoa que morreu, já que ela não vai voltar mais.
  • Conte a verdade sobre a causa da morte, por exemplo, que estava doente, um acidente ou porque estava velhinho. Não dê detalhes, principalmente se a morte for trágica, com sofrimento.
  • Responda às perguntas do seu filho de maneira objetiva, por exemplo, se ele perguntar: “A gente também vai morrer?” Você poderá responder que sim, mas quando estiverem bem velhinhos.
  • Abraçar e beijar o falecido só deve acontecer se a criança quiser e se já tinha esse costume antes do falecimento.
  • Se a criança pedir pode deixá-la ver o rosto do falecido.
  • A morte é um fenômeno difícil de explicar, mas se a criança fizer perguntas sobre isso, responda de acordo com suas crenças.
COM O PASSAR DOS DIAS:
  • Se seu filho é uma criança muito ativa, leve-o para brincar mais vezes ao ar livre.
  • Se seu filho é mais quieto, fique mais tempo a sós com ele.
  • Procure manter a rotina.
  • Deixe seu filho falar, chorar, rir e brincar. Seja acolhedora! É importante que seu pequeno perceba que ele tem alguém para confortá-lo.
  • Vocês poderão construir juntos uma “Caixa de Memórias” ou um “Livro de Memórias” e guardar fotos e lembranças da pessoa que morreu.
Essas são atitudes concretas que ajudarão seu pequeno a aceitar a ausência do ente que se foi, sem criar fantasias sobre a morte. O importante é que você fique atenta ao comportamento do seu filho e respeite seu modo de lidar com a dor da perda. E lembre-se, não o obrigue a fazer nada que ele não queira.



Arte aborda a morte para crianças
Literatura é aliada no momento dos pais falarem sobre o tema com os filhos

Cristiane Rogerio e Simone Tinti
Falar sobre a morte para crianças não é uma tarefa fácil. Geralmente após algum caso na família ou entre conhecidos, seu filho vai perguntar a você sobre o tema. E não há como escapar. Mas saiba que, apesar de ser um assunto delicado, é possível abordar a morte com delicadeza e bom humor e ajudar a criança a transformar a tristeza; para isso, vale apelar para a literatura.

No livro Morte Morrida, de Ernani Ssó (Cia das Letrinhas), o personagem tenta driblar a morte. Nas nove histórias que compõem a obra, o autor combina com um prazo maior para terminar de escrever, mas toda essa negociação é feita com muito bom humor. O livro é indicado para crianças a partir de 7 anos de idade. Em Fadas no Divã (Editora Artmed), o casal de psicanalistas Diana Lichtenstein e Mário Corso comprovam que contar histórias é um recurso que não deve ser desperdiçado. "As histórias não garantem a felicidade nem o sucesso na vida, mas ajudam. Uma mente mais rica permite que sejamos flexíveis emocionalmente, capazes de reagir adequadamente a situações difíceis, assim como criar soluções para nossos impasses", dizem os autores.
Mais livros que abordam o tema
 


DivulgaçãoA Menina Nina, de Ziraldo (Editora Melhoramentos). Após a morte de sua esposa, Ziraldo tenta explicar à neta por que afogamos nas lágrimas as dores que não entendemos. A morte é a principal delas, em especial se chegar sem despedida. A partir de 6 anos.
 
Divulgação

Tempos de Vida, de Bryan Mellonie e Robert Ingpen (Global Editora). A tradução de José Paulo Paes clareia a poesia sobre o que é a vida: começo e fim e o meio é o viver. É assim com as plantas, com os animais, os insetos e as pessoas. Umas vivem mais, outras menos, mas a mensagem é uma: morrer é tão parte da vida como nascer. A partir de 5 anos.
 
DivulgaçãoVovó Nana, de Margaret Wild e Ron Brooks (Editora Brinque-Book). As porquinhas Vó Nana e Neta moram juntas, cozinham juntas, limpam a casa juntas, passeiam juntas. Mas, um dia, Nana adoece e Neta percebe que curtir os últimos momentos com a companheira é mais importante do que chorar pela morte. A partir de 5 anos. 
Divulgação





A Velhinha Que Dava Nome às Coisas, de Cynthia Rylant (Editora Brinque-Book). Beto é o carro, Frida é a poltrona e Glória é sua casa. A velhinha dava nome a tudo que sabia que duraria mais tempo do que ela. Até o dia em que um cachorro de rua insiste em ser cuidado por ela e ela pensa se não é melhor aceitar o carinho dele, em vez de se trancar na solidão para não sofrer com a perda. A partir de 8 anos. 
 


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Dinâmica para falar sobre a questão da morte

http://universovozes.com.br/editoravozes/web/view/BlogDaCatequese/index.php/paginas-complementares-para-dinamicas/dinamica-para-falar-sobre-a-questao-da-morte/




A Vida Nova

Autora: Maria Aparecida de Cicco
Fefê é um feijãozinho muito simpático, que gosta de brincar na natureza e conversar com as flores.

Mas, nos últimos dias ele anda muito triste, só fica chorando sentadinho. Isso porque um outro feijãozinho, seu irmão e amigo, que nasceu na mesma vagem que Fefê, tinha sido enterrado.

Estela, uma estrelinha amiga de Fefê, que ficava observando tudo lá do céu, viu a tristeza dele e ficou pensando sobre o que poderia ter acontecido para que o amiguinho, sempre tão alegre, de repente tivesse ficado tão triste. Então, procurou chamar a atenção dele e perguntou:

- Fefê, por que você está tão triste? Está até chorando?
Fefê, sem levantar a cabeça, respondeu: – Porque meu irmão foi enterrado, ele morreu e nunca mais eu vou poder brincar com ele. Agora fiquei sozinho.
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Estela ficou sentida e disse: – Oh! É mesmo muito triste perder um irmão, mas, veja, eu estou aqui e seu irmão também. Fefê ficou muito espantado e disse: – Onde? Eu só estou vendo só você! Onde está o meu irmãozinho???

Com muito amor, Estela explica: – Você não pode vê-lo, mas ele está bem perto de você. O ciclo da vida é assim, a gente nasce, vive e depois morre; e então, nasce para uma vida muito melhor, cheia de luz.

Fefê dá um pulo e diz: – Obaaa! Quer dizer que meu irmão vai nascer de novo? Quando? Vou poder brincar com ele novamente???
Estela fica admirada com a mudança de Fefê, que rapidamente ficou todo alegre.

- Calma Fefê, diz Estela, não é bem assim. Ele não vai nascer de novo ai , como um feijãozinho. Ele terá uma vida nova, diferente. Você não vai vê-lo, porque ele não será mais um feijãozinho.
Muito confuso, Fefê diz: – Eu não estou entendendo mais nada.

- Se ele vai viver de novo, por que ele não continuou vivo? Não podia ficar como antes? Isso tudo é muito complicado. Pra que ter uma vida diferente? Aqui não estava bom????

- Veja Fefê, a vida como feijãozinho é temporária, a gente nasce e vai vivendo aqui, cumprindo uma missão. Até que um dia, a nossa missão se completa e então, agente morre aqui porque vai nascer para uma vida nova, a vida plena, eterna.

-Quer dizer que eu não vou ser um feijãozinho para sempre? Que quando eu for enterrado será porque eu morri para essa vidinha, mas vou nascer para uma vida nova, cheia de alegria?
- É isso mesmo! Responde Estelinha.

- Mas se é assim, por que não posso ir junto com ele? Eu também quero ser feliz. E aqui sozinho ficarei com muitas saudades. Diz Fefê
- Fefê, cada um tem o seu tempo, ninguém escolhe a sua hora de ir. Ela chega no momento certo, quando já se está pronto para a outra vida. Estela explica e continua:

- Quando você sentir saudades, faça uma oração bonita para o Pai do Céu, pois seu irmão ouvirá e você se sentirá melhor.
- Eu vou fazer isso agora mesmo! Diz Fefê já se colocando de joelhos.

E assim, Fefê voltou a sorrir e a viver contente, pois tinha a certeza de que um dia ele também vai passar para a vida eterna e reencontrar o seu irmão. As saudades ele guardava em seu coração, certo de que aonde seu irmão estivesse, estava sempre bem pertinho dele.

{Os desenhos desta história também são da autora}
Ao imprimir e/ou compartilhar com outras pessoas, não deixe de citar a autoria do texto e desenhos.

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